terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A cómoda





Na entrada da casa havia uma cómoda antiga onde ela guardava as recordações em gavetas que não voltava a abrir.
Era uma cómoda bonita mas completamente desajustada para o local.

Na realidade, não saberia explicar porque ia guardando aquelas lembranças que não mereciam ser recordadas. Mas teima em acomodá-las nas gavetas que não reabre e nunca fecha à chave.

E aquela cómoda, que não se enquadra no resto do mobiliário, foi ficando, tornou-se parte da casa e é hoje um túmulo de sonhos que a impede de voar.

4 comentários:

A Palavra Mágica disse...

Cristina,

Se o problema é a cômoda. Ignore-a. Ela sempre vai estar lá, mas nunca mais a impedirá de voar.

Por falar em voar. aqui no Brasil é verão e eu te ofereço esta música interpretada pela Janis Joplin


Summertime

É tempo de verão
Criança, a vida é fácil
Os peixes pulando fora d'àgua
E o algodão, Senhor,
O algodão está alto, Senhor, tão alto.

Seu pai é rico
E sua mãe é de tão boa aparência
Ela parece bem agora
Calma, baby, baby, baby, baby, baby,
Não, não, não, não, não chore
Não chore!

Em uma destas manhãs
Você estará crescendo, cantando animada
Você estará alargando as suas asas,
Criança, e alcançando, alcançando o céu,
Senhor, o céu.

Mas ate esta manhã
Querida, nada vai te causando alarde,
Não, não, não, não, não, não, não, não.....
não
não
Não Chore.
Não Chore.

Cristina,

A cômoda não incomoda
Quando a vida é urgente
E pede incessantemente
Que a nossa alma
Tenha um pouco mais de calma.

Um beijo!
Alcides

tulipa disse...

Obrigada pela visita, gostei do que vi por aqui.
Acho que todos temos uma cómoda que teimamos em guardar e que tentamos nunca abrir.

um abraço
tulipa

CrisTina disse...

Alcides,

Em Lisboa é Inverno e o frio tem sido muito, mas as tuas palavras fizeram-me sentir um pouco desse calor brasileiro.
É bom saber que apesar dos interregnos continuas a visitar este cantinho...
Obrigada
Bjinho

CrisTina disse...

Tulipa,

Obrigada pela visita.
Volta sempre!
Bjo